sexta-feira, 25 de julho de 2008

Encontro de estilos


Diferença de mundos ou tempos difíceis?...

Ontem tinha encontro marcado com uma amiga.

Antecipei-me e cheguei mais cedo ,então moderei o meu stresse habitual e senti-me estranha...como um navio desligado. Logo eu que caminho a todo o vapor.

Entrei calmamente no cais. O meu olhar descansou sobre o mar,ali mesmo à minha frente, só faltou tocar, tão sereno que lembrava um rio .
Subitamente veio-me à mente uma paisagem suspensa...os barcos balançando no doce palpitar das águas... um vento vagueva e brincava com os meus cabelos.Havia pouca gente a passear e o sol caía a pique...

A amiga chegou cumprimentámo-nos e dirigimo-nos a uma loja .

Entrámos e ficámos à espera de sermos atendidas. Nessa ocasião reparámos que só havia um empregado a receber os clientes.Era um homem de estatura acima da média,também não era alto. Muito calmo, sereno, pálido...Quase só se escutavam as passadas no soalho escuro e velho.
A voz dele soava em tom baixo.
A loja assemelhava-se a uma fotografia antiga e nós faziamos parte do cenário...
Subitamente lá do fundo uma porta abriu-se e de dentro saíram vários homens .Percebemos que deviam ser aqueles que transportam cargas.

Rimos porque todos eles aparentavam a mesma apatia, o mesmo mundo distante, o semblante antigo...sonâmbulos com aparência de acordados...

Quando saímos experimentámos a sensação de regressarmos ao mundo real.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Serviço de urgência ou de espera?

Encontrava-me numa aula,tentando demonstrar ao pupilo como se aplicava o corte quando eu própria fui surpreendida pelo x-acto que saltou do seu percurso normal e traiçoeiramente furou-me a mão. O sangue jorrava da ferida e coalhava o chão.Uma funcionária da escola prestou-me os primeiros socorros mas salvagardou a sua posição, aconselhando-me a dirigir ao Centro de Saúde.Por isso encaminhei-me ao respectivo serviço.

A enfermeira procedeu à desinfecção da ferida mas persuadiu-me de que seria prudente a ida ao serviço de urgência hospitalar,pois o golpe tinha sido profundo e carecia de pelo menos um ponto. Contudo, elucidou-me para o facto de que o mesmo deveria ser aplicado num prazo entre quatro a seis horas após o ferimento. Caso contrário correria o risco de a cicatrização ser mais lenta e até de uma possível infecção,como o ano transacto sucedera com a picada de um compasso.

Segui as indicações da enfermeirae dirigi-me ao serviço de Urgência do Hospital. Aguardei pouco tempo na sala de espera.
Chamaram-me e entrei. À minha frente havia uma enfermeira sentada,voltada para um computador, entretanto o médico acabava de chegar à enfermaria.
Num tom frio questionou que fazia na escola,que disciplina leccionava,como me tinha ferido. Respondi às questões e esclareci que já estivera no Centro de Saúde e que fora enviada para lá.Em seguida,o médico encaminhou-se para mim e tentou abrir o penso,porém,não conseguiu e perante as tentativas infrutíferas exasperou-se dando estalos com a língua. Depois solicitou-me que o acompanhasse.

Percorremos salas e mais salas até desembocar numa outra sala ampla amontoada de gente, uma sala que remetia para um campo de concentração nazi,todos com um ar de condenados à morte.
Num tom gélido e embaraçado aconselhou-me a procuar uma cadeira mas ambos constátamos que não havia espaço,então ele no mesmo tom frígido acrescentou que esperasse de pé.
Voltei-me para o médico ,esclareci como tudo tinha sucedido e que não podia esperar,informando-o acerca das advertências da enfermeira do Centro de Saúde.

A resposta foi cínica e pouco ética,a enfermeira tinha mentido,ele é que era médico,eu não deveria acreditar mais na palavra de uma enfermeira do que na dele.
Posteriormente mostrou-me o processo e de uma forma extremamente arrogante indicou os dois traços a verde , no dizer do médico a espera seria de duas horas.
Perante tamanha falta de consideração,comentei entre dentes a má educação,quando ele voltou furioso protestei para que me fechasse o penso e iria embora dali.

O médico recusou-se a actuar e acrescentou secamente que se eu não quisesse esperar que fosse embora,só fechava o penso duas horas depois.
Contrariado guiou-me à saída,porém , passámos pela sala quatro,onde permanecia a mesma enfermeira sentada ao computador.
Nesse momento o médico explicou à enfermeira que eu ia sair por não querer esperar pela minha vez.
A enfermeira arrastou a cadeira acercando-se de mim e sentada começou a proferir encolerizada que eu havia chegado há trinta minutos ,que tinha de esperar pela minha vez,que não tinha respeito pelos outros...Eu tentei repetir os argumentos da outra enfermeira,contudo,a minha voz ficou apagada,pois ela falava mais alto e não me cedia espaço .O médico que se encontrava de costas para mim,olhou-me fulminante,questionando-me exasperado se eu ia repetir a mesma conversa , eu respondi que sim.

Quando eu pedi para explicar as minhas razões,a mesma enfermeira terminou o seu discurso irado ,arrastou novamente a cadeira e deu-me as costas,respondendo-me que agora era a minha vez .

Enquanto eu repetia o que havia dito,o médico ordenou a minha saída e como eu tentava concluir as explicações,ele ainda ameaçou chamar um segurança para me colocar na rua.


Antes disso retirei-me pelos meus próprios pés.
Até quando vamos pagar para sermos tratados como carne num matadouro e entrar no serviço de urgência para não sair? Até quando seremos descriminados se estamos bem ou mal vestidos,se conhecemos pessoas influentes ou não?

Até quando vamos assistir à falta de educação de profissionais de saúde ,à falta de humanismo, à falta de valores,à falta de princípios de gente que afinal passou pela escola?

Nota: O que mais me indigna é a forma como acolhem os nossos velhos . Já acompanhei a minha mãe muitas vezes a este serviço e presenciei muita coisa ... Foi necessário ficar atenta e algumas vezes subir o tom de voz.
Eu tenho pavor de adoecer e que me metam lá entregue à "bicharada".

Que me desculpem aqueles que já foram atentidos nestes serviços e foram bem tratados.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Hoje não me suporto!

Hoje foi o meu dia não! Insuportável! Meu Deus que irritação! Logo de mnhã apeteceu-me partir o espelho em
fragmentos
partículas
e posteriormente atirar a poalha ao vento e o meu espírito ir com ela , numa mixórdia.
Por favor esqueçam esta porcaria que escrevi ... que horror!

quinta-feira, 10 de julho de 2008

A culpa

Odeio imaginar que te causei sofrimento,que te fiz chorar. Se eu pudesse mitigar o teu tormento...
Há sentimentos que se esgotam, a torneira secou. O meu amor por ti acabou !

Sobrevivente

Havia tudo até ontem e subitamente morreu tudo num ápice ou eu andava cega ,que faço sem chão e sem céu ?
O café arrefeceu ... a manteiga congelou , os ponteiros do relógio seguiram em frente impiedosos. Fiquei mais só.
Tornei-me a cinza do lume apagado .

terça-feira, 8 de julho de 2008

Pensamento

A preferência já não é a unidade , o rigor geometrizante da rota das nossas vidas, a linearidade dos conhecimentos. Tudo isso tornou-se insípido , fatigante ,monótono e sem interesse. Curioso e hilariante é a fragmentação ,o descontínuo, o desconcertante ...que convida à investigação de cada detalhe surpreendente na cumplicidade da descoberta mútua.

Frase

Se o produto da criação é sublime ,o momento da sua acção é ainda mais sublime.