quinta-feira, 30 de outubro de 2008

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O Drama Acontece

Durante todo aquele tempo ele está dentro dela. É alimentado por ela todos os dias. Os dois numa relação íntima vão criando raízes profundas. Indestrutíveis.
Ela vai sonhando, tecendo mil projectos. Compra roupa,brinquedos...Antecipa a chegada dele.
E a barriga vai crescendo.
É a vida a desabrochar em força .
Ela está feliz. Muito feliz. Desejou-o com tanto Amor! Ninguém consegue imaginar a vontade dela!
Contudo, o fatídico acontece...
No dia, naquele dia em que ela esperava tão ansiosamente por ele... As imagens atropelam-se,
os medos e receios afloram.
E a criança chega morta à vida.
Agora que vai ser daquela mãe?
Que palavras irão consolá-la?
Para qualquer Mulher a compensação de um filho germinado nas suas entranhas, é pensar que ele sai de dentro de si e vai directamente para os braços.
Porém, quando o destino rouba o direito a esse mesmo Amor, que compensação procurar?

sábado, 4 de outubro de 2008

UM MUNDO DE NÃOS



Nunca estão disponíveis quando peço para brincarem comigo. E se salto ou dou cambalhotas em cima do sofá ou da cama , zangam-se comigo para eu parar de estragar as coisas.

Ficam aborrecidos se mexo nos brinquedos caros que me compraram pois posso estragá-los.

Se falo em voz alto ou canto repreendem-me para falar baixo porque ficam muito incomodados com o ruído que faço e os vizinhos podem achar aquilo feio. Mas quando eles discutem não medem o estrondo que provocam.

Enchem a casa de loiças caras que se quebram e ralham-me para eu não lhes tocar.

Estão sempre a insistir para que me calçe quando adoro andar descalço. Também não posso chapinhar nas poças de água quando chove, pois posso adoecer , me sujar ou me molhar.

Quando faço perguntas complicadas dizem-me que sou pequeno. Quando crescer vou entender as suas respostas . Mas se choro ou faço birra então já sou crescido demais para essas coisas.

Quero falar com eles e não me deixam , no entanto estão sempre a conversar entre eles.


Tenho pai e mãe mas ambos têm cargos e andam sempre agarrados a uma cadeira.

Obrigam-me a ler poemas que não entendo,só para se exibirem através de mim. Se por acaso esqueço-os ou hesito ficam logo frustrados e fazem-me sentir mal.

Forçam-me a beijar pessoas que eles conhecem e eu não. E se eu dirigir a palavra a um desconhecido eles sacodem-me o braço para não o fazer.

Eles dizem mentiras e acreditam nelas e julgam que não entendo.

Estão sempre a implicar comigo por eu ser tímida e eles mesmos às vezes refugiam-se nas minhas costas.

Criticam-me por aquilo que faço e esquecem que eles mesmos em crianças faziam exactamente o mesmo e gostavam .

Por tudo e por nada ameçam bater-me nas pernas, nas mãos ou na boca.

Por serem mais crescidos que eu sentem-se mais importantes e donos da própria verdade. Eu nunca tenho razão.

Assinado : Manelito